Composição, Mar 29 –
Mai 12, 2007
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A Galeria Pedro Cera tem o prazer de anunciar a inauguração da terceira exposição individual de Pedro Barateiro na galeria. A exposição é composta por um novo conjunto de fotografias intervencionadas e Composição, uma instalação-vídeo.
Composição é uma obra feita a partir de imagens de filmes de propaganda do Estado Novo, recolhidas no Arquivo Nacional de Imagens em Movimento (ANIM – Cinemateca Portuguesa). O vídeo em forma de narrativa não-linear, inicia-se com a visita a uma exposição, que funciona como ponto de partida para uma reflexão sobre olhar e agir.
Esta obra continua a pesquisa levada a cabo pelo artista da construção do espaço social e ideológico feita através da interpretação de imagens de propaganda, de forma a encontrar vestígios da construção do olhar e das consequências ao nível ético na produção de imagens. As imagens são intercaladas com textos da autoria do artista e excertos de textos de autores como Henri Lefebvre, Guy Debord ou Gertrud Stein.
Aliás, o título da instalação-vídeo é inspirado no texto de Gertrud Stein Composition as Explanation (Composição como Esclarecimento) que tem constituído uma referência para o artista e acompanhado o seu percurso.
O texto refere que a composição é algo que acontece sob a forma de uma constante reorganização da vida, e que o trabalho dos artistas é feito em paralelo aos acontecimentos da vida social. Para Stein a “única coisa que muda de um tempo para o outro é aquilo que é visto, e aquilo que é visto depende da forma tudo o resto é feito”. Stein aponta assim para uma dependência visual: “Cada período de vida difere de qualquer outro período de vida, não da forma como a vida é, mas da forma como a vida é conduzida, e isso, autenticamente falando, é composição. (...) Qualquer pessoa que crie a composição nas artes não sabe disso, ela está a conduzir a vida e isso faz da composição o que ela é, faz com que o seu trabalho se componha à medida que se faz. (...) Os artistas vão-se preparando assim como o mundo à sua volta se prepara.”
O segundo grupo de obras corresponde a um novo conjunto de fotografias intervencionadas, feitas a partir de páginas das revistas de cinema francesa Cahiers du Cinéma e Positif das décadas de 60/70. Nestas obras importam, por balanço crítico à instalação-vídeo, questões de autor e autoria.
Uma das questões mais pertinentes que o cinema colocou à sociedade pós-moderna e contemporânea é, na opinião de Barateiro, a questão da produção de discurso e a construção de imagens, reflectindo a forma mediada de olhar o mundo. Usar as páginas destas revistas, e consequentemente fotogramas dos filmes, é lembrar um período da cultura pós-moderna onde o cinema de autor demonstrava ainda uma certa capacidade de controlo sobre a produção de imagens.
Para Barateiro, é importante constatar que durante todo o século XX a imagem fotográfica e a imagem projectada foram utilizadas tanto na criação de discursos totalitários (vide as imagens documentais dos filmes de propaganda), bem como na construção de discursos ficcionais com uma recorrência metafórica e mitológica.
Pedro Barateiro nasceu em Almada em 1979, licenciou-se na ESTGAD, nas Caldas da Rainha, frequentou a escola Maumaus em Lisboa entre 2002 e 2004 e obteve o MFA in Visual Arts na Mälmo Art Academy, Suécia, em 2006. Conta no seu curriculum com cinco exposições individuais e diversas colectivas, donde se destaca a presença na última Bienal de Busan, Coreia. Futuras exposições incluem a participação na próxima Bienal de Sydney, a decorrer em 2008. |