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SUMMA CAVEA, Mar 13 – Abr 24, 2010



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A Galeria Pedro Cera tem o prazer de anunciar a quarta exposição individual do artista Pedro Barateiro, com o título Summa Cavea.

Summa Cavea é também o título de um filme documental, realizado e produzido entre 1954 e 1957, pela cineasta alemã Christina Vinug, que retrata a vida de um grupo de arqueólogos numa mina no Sul de França, a cerca de 100 km a oeste da cidade de Arles, onde foram encontrados vestígios de ocupação romana.
O filme mostra, de forma cuidadosa, os episódios da vida e trabalho deste grupo de arqueólogos, numa área que era, até essa data, uma grande mina de carvão.
A cineasta, de quem, aliás, não se conhecem outros trabalhos, acompanhou a expedição desde o início, tendo registado os diversos momentos dos trabalhos de escavação e a forma como todo o quotidiano da antiga mina se transforma. Os trabalhadores passam de mineiros a aprendizes de arqueólogo, ajudando a equipa em tarefas básicas do dia-a-dia de uma escavação arqueológica. O documentário centra uma boa parte da sua história na descoberta acidental por um dos mineiros daquilo que poderia ser a última fila de um teatro ou um anfiteatro romano.

O título do filme, Summa Cavea, resulta da apropriação do termo em latim para descrever a última fila de um teatro ou anfiteatro romano, sendo a cavea aquilo que designa a plateia, sob a forma de uma estrutura semi-circular ou elíptica onde, por ordem social e hierárquica, se sentam os espectadores.

A imagem e o contexto de produção deste filme servem a Pedro Barateiro para pensar questões inerentes ao seu trabalho. A exposição reúne um conjunto de obras recentes, composta por três esculturas, “A Estante do Arqueólogo”, “Summa Cavea”, “Mesa de Trabalho/ Mesa de Jogo”, e a uma impressão fotográfica do poster do filme Summa Cavea. O artista continua aqui a desenvolver ideias relacionadas com a produção, construção e consequente desconstrução de narrativas históricas paralelas, a partir da experiência e interpretação da subjectividade do autor e da sua identificação com e como espectador. Esta é, aliás, uma temática recorrente no trabalho de Barateiro, observável em anteriores momentos, como são exemplo as exposições Teoria da Fala na Casa de Serralves em 2009, Domingo no Pavilhão Branco do Museu da Cidade ou ainda na peça apresentada na 5ª Bienal de Berlim, The Naked City / A Cidade Nua, ambas em 2008.

No contexto da exposição serão ainda apresentadas duas performances da autoria do artista, a primeira O Sopro de Prata: a partir de fotografias de Emile Marini, onde Barateiro constrói uma narrativa a partir de uma selecção de fotografias em slides do jornalista e fotógrafo italiano Emile Marini, pertencentes ao Instituto de Investigação Científica Tropical - Arquivo Histórico Ultramarino. Esta performance contará com a participação de Lula Pena.
A segunda performance Hoje Estamos de Olhos Fechados, consistirá numa projecção de filme em 16mm a preto e branco, filmado no jardim do Museu Nacional do Teatro em Lisboa e contará com a participação de Lia Gama.

Pedro Barateiro (Almada, 1979), vive e trabalha em Lisboa. Destacam-se no seu percurso as participações na 16ª Bienal de Sydney, 2008, 5ª Bienal de Berlin, 2008, Bienal de Busan, 2006, Photo Espanha, edição de 2008, e as mostras individuais “Teoria da Fala” na Casa de Serralves - Museu de Serralves, 2009, “Amanhã não Nasce Ninguém” MARCO, Museo de Arte Contemporánea de Vigo, 2009, e “Domingo” no Pavilhão Branco / Museu da Cidade, 2008. De entre as exposições futuras, destaca-se a mostra individual agendada para Setembro no Kunsthalle de Basileia.