A Galeria Pedro Cera tem o prazer de anunciar a exposição colectiva, Behind the Light, um projecto de Jorge Pallarés.
Nesta mostra reúnem-se trabalhos de dez artistas internacionais contemporâneos, que através de diferentes linguagens trabalham o tema da luz, do espaço e dos objectos que aquela oculta e revela aos olhos do espectador. Recorrendo a diferentes meios – pintura, escultura, fotografia, desenho e vídeo – a exposição trata de averiguar o que se “esconde” por detrás da luz.
Susanne M. Winterling assume, no seu trabalho, a imagem fotográfica como uma renovação do gesto, da pintura com luz. Em Poetry and the Looking Glass of the Closet fundem-se de forma fantasmagórica imagens de Genet, Angela Davis (a activista feminina) e imagens de Dandys de fim de século, revelando aqui o seu fascínio pelos reflexos. A exposição também conta com Cache Colour, uma fotografia onde a artista enquadra com as suas mãos um cubo vermelho, direccionando o observador para o centro da imagem.
Nos seus trabalhos, Lisa Oppenheim interessa-se pelos aspectos menos valorizados da cultura visual: situações e expressões da vida contemporânea que frequentemente passam despercebidas. Deste modo pretende assim distinguir as repercussões dos momentos importantes da história, não dos momentos em si, senão dos gestos que permanecem no esquecimento. Na exposição podemos ver um trabalho da série Heliograms, onde imagens do sol são obtidas a partir de exposições solares em diferentes momentos e em diferentes dias do mês, e onde a intensidade e a temperatura da luz se altera consoante as horas, às vezes de modo subtil, outras de modo dramático.
Jerónimo Elespe realiza retratos, paisagens e cenas de interior com os olhos postos nos grandes pintores espanhóis (Goya, Velázquez…). O retrato maneirista destaca-se no seu trabalho, apesar de muitas das suas paisagens se destacarem também por uma superfície muito trabalhada e por uma paleta nocturna. Aqui em Edith 2010, Afternoon Key 2011 e Four Paper 2012, mostra toda a subtileza e ambiguidade do seu trabalho, ocultando um estranho personagem por detrás da névoa neste grupo de três pinturas.
Amy Granat realiza filmes abstractos sem recurso a câmara de filmar, utilizando materiais que se afastam das formas tradicionais. Destruição da cor, uso de ácidos, perfuração e riscado da própria película, fazem com que estas alterações manuais ofereçam, em si mesmas, uma variedade de reflexos e deformações que durante o processo de projecção provocam efeitos pictóricos. O filme 2+1+1+2 (for Niki) faz referência a um dos últimos trabalhos de Niki de Saint Phalle, La Cabeza (1999), uma escultura de exterior em forma de caveira. Na sua homenagem a Niki, Granat recorre a uma caveira típica do Día de los Muertos, com uma escala bastante mais reduzida que a caveira original de Saint Phalle.
Jorinde Voigt desenvolve a sua própria linguagem visual, uma espécie de códigos de signos abstractos que num princípio nos levam a um universo subjectivo e individual, mas que na realidade se submetem a regras estritas y sistemas definidos. Eliminando a fronteira entre ciência e arte, Voigt analisa as estruturas de diversos padrões de fenómenos naturais. No seu trabalho Blinckwinkel/Territorium/Elektrizität 2008/2012, preenche o espaço com representações de impulsos eléctricos, transportando o observador para o primeiro nível da matéria.
O objectivo principal no trabalho de Evan Gruzis é o de criar as possibilidades que possam conferir significado a uma paisagem apocalíptica de signos vazios. Para isso utiliza imagens que em determinado momento foram evocativas e que no presente carecem de significado cultural, destacando assim o seu verdadeiro interesse que consiste no simples acto de observar. Gruzis recorre a uma zona onde a luminosidade é acossada pela profundidade da cor negra da tinta-da-china, para fazer com que as imagens existam tanto como representações do objecto como por ícones pintados manualmente, que variam entre a fotografia, o aerógrafo e a tecnologia digital, como se observa nos trabalhos Dirty Brain Sky, Benzo Light nº 3 e Palm Shot.
Nick Oberthaler constrói os aspectos espaciais dos desenhos com relação a uma perspectiva, cujo ponto de fuga se encontra dentro dos postais que utiliza como janela, num horizonte descentrado. Oberthaler insiste na ambiguidade das imagens deixando liberdade ao espectador para decidir em que ponto de referência quer centra-se dentro da obra. No seu trabalho, as vibrações que emanam da paleta de cinzentos, apesar de não serem visíveis nem descritíveis, têm, não obstante, presença física.
Iris Touliatou utiliza referências de uma ampla gama de fontes históricas, como sejam o cinema, a arquitectura modernista, a cenografia, literatura, ciência e ilusionismo, tomando forma assim os seus trabalhos de ensaio visual. Construídos a partir de um vocabulário misterioso e simbólico, estes ensaios evocam relatos alusivos ao ambíguo, nos quais se fundem real e irreal, e em que a sobreposição de capas, provoca uma interpretação complexa e contraditória das práticas a que chamamos Modernismo, como se verifica aqui em On the Breaking Act of Seeing Through the Other Side of Grounds and Things, uma série de colagens e uma escultura.
Conversación de Paloma Polo, consiste numa fotografia que integra o projecto multifacetado da artista, The Path of Totality. Este projecto aborda uma ampla investigação sobre a historia das expedições europeias e americanas que tiveram lugar nos séculos XIX e XX, e cuja intenção era a de investigar os eclipses solares. The path of Totality, é um percurso de obscuridade desenhado pela sombra da lua ao projectar-se sobre a terra durante o eclipse total do sol.
Sam Falls expande nas suas obras um prolífico vocabulário de formas que se dirigem ao tempo e ao espaço, como aqui se observa nos seus trabalhos Textile with Flowers e Latticce. Igualmente se mostram duas obras executadas em tecido, Untitled (Orange) e (Untitled (Teal) que foram sujeitas à intempérie, durante um determinado período de tempo determinado pela próprio material.
Nota: Os textos aqui apresentados são maioritariamente citações de textos preexistentes, retirados quer das páginas web de galerias que representam estes artistas, quer de imprensa e critica especializada. Agradecemos a colaboração de todos os artistas aqui referidos e das galerias Silverman, de São Francisco, Klosterfeld, de Berlim, Soledad Lorenzo, de Madrid, Duve Berlin, de Berlim, Maisterravalbuena, de Madrid, Kamm, de Berlim, Emanuel Layr, de Viena, American Contemporary de Nova Iorque e ainda à Colecção BES, de Lisboa. |