Imagética Abreviada, Mai 10 – Jun 16 2008
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A Galeria Pedro Cera tem o prazer de anunciar a primeira exposição individual de Pedro Neves Marques intitulada Imagética Abreviada, composta por um conjunto de seis textos da autoria do artista, apresentados em impressão fotográfica, e por dois vídeos, Tentativa de: Os Mergulhadores do Reno (Basileia; Agosto 2007) e Pontes de Basileia (Johanniterbrücke; Mittlerebrücke; Wettsteinbrücke).
Em Imagética Abreviada, Pedro Neves Marques recenseia congregações específicas do binómio indivíduo / colectivo fazendo alusão a momentos de emancipação deste perante uma ordem, sendo aqui implícita a presença do indivíduo no, e, como constituinte de um colectivo; ou seja, a exposição mais ou menos evidente de uma capacidade e reconhecimento do indivíduo, no que este comporta (vontade; julgamento crítico) e a sua permanente dissolução no todo social e/ou colectivo.
Esta série, iniciada em 2006, encerra com um trabalho realizado no início de 2008. O arco temporal de realização dos trabalhos conduziu parte da série da ficção à realidade; da construção ao reconhecimento do fazer, culminando na determinação em tornar realidade este fazer em Tentativa de: Os Mergulhadores do Reno (Basileia; Agosto 2007) e no projectado Os Caminhantes de Wadden, ao fixar nestes a temporalidade da acção obtida pelo recurso à datação das situações. Ou seja, se nos primeiros trabalhos de Imagética Abreviada (A Escada para Dois ou A Escada Comunista; O Estádio Tautológico) o fazer era construído, numa vertente próxima da performance, os seguintes trabalhos, ainda que executados com pressupostos estruturais similares, foram adquirindo geografia ou datação.
Para Pedro Neves Marques o uso da escrita encontra-se intimamente ligado, por um lado, a uma intradutabilidade da vivência pela visualidade ou imagem, e por outro, ao que Jacques Rancière define como, com a Modernidade, a constituição da escrita no seu potencial democrático. A escrita surge aqui, portanto, como intimamente associada a este poderio da subjectividade do sujeito, individual ou colectivo.
Se a imagem tanto se aproxima, na sua fidelidade, ao que documenta, quanto permanece, por isso mesmo, distanciada do que documenta, isto é, se a imagem tanto representa quanto impede a penetrabilidade do sujeito na desconstrução do objecto, a escrita confronta a imagem e distancia-se desta, comportando-a todavia, constituindo essa a sua força no seu interior.
Nestes trabalhos, a escrita, na sua literalidade e abstracção, compromete necessária, senão mesmo obrigatoriamente, o espectador no escrito. O recurso à escrita como elemento de documentação ou aproximação a eventos e situações precisas permite a permanência do evento num mundo não representável e o exponenciar da subjectividade do espectador na concepção, memorização e comunicação deste.
Pedro Neves Marques nasceu em Lisboa em 1984, onde habitualmente vive e trabalha, residindo temporariamente em Berlim. É licenciado em Artes Plásticas pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa (2007), e destacam-se no seu percurso as participações nas exposições, “Besrevelação 2007”, na Casa de Serralves, Porto, e “Eurásia – Dez Novos Artistas na Casa-Museu Anastácio Gonçalves”, em Lisboa.
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